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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Cantigas e Cantos: POESIA: Zé Limeira, poeta do absurdo

Cantigas e Cantos: POESIA: Zé Limeira, poeta do absurdo



Fonte: http://cantigasecantos.blogspot.com.br/2013/03/poesia-ze-limeira-poeta-do-absurdo.html 


 
POESIA: Zé Limeira, poeta do absurdo





zé limeira


 Zé Limeira (Teixeira, 1886 — 1954) foi o
cordelista/repentista mais mitológico do Brasil. Era conhecido como Poeta do
Absurdo. Nasceu no sitio Tauá, em Teixeira, cidade da Paraíba que foi o
principal reduto de repentistas no século XIX.

Os temas que abordava em suas poesias e repentes
eram variados e chegavam, muitas vezes, ao delírio. Pornografia era um tema
recorrente, mas Zé Limeira ficou conhecido como “Poeta do Absurdo” por suas
distorções históricas, poesias recheadas de surrealismo e nonsense, e pelos
neologismos esdrúxulos que criava.

Vestia-se de forma berrante, com enormes óculos
escuros e anéis em todos os dedos, e saía pelos caminhos de sua vida, cantando
e versando.


O meu nome é Zé Limeira

De Lima, Limão , Limansa

As estradas de São Bento

Bezerro de Vaca Mansa

Valha-me, Nossa Senhora

Ai que eu me lembrei agora:

Tão bombardeando a França




Ninguém faça pontaria

Onde o chumbo não alcança

E vou comprá quatro livro

Prá estudá leiturança

Bem que meu pai me dizia:

Jesus , José e Maria,

São João das Orelha mansa



Ainda não tinha visto

Beleza que nem a sua,

De cipó se faz balaio

A beleza continua

Sete-Estrelo, três Maria

Mãe do mato pai da lua



A beleza continua

De cipó se faz balaio

Padre-Nosso, Ave-Maria,

Me pegue senão eu caio

Tá desgraçado o vivente

Que não reza o mês de maio



Sei quando Jesus nasceu,

Num dia de quinta-feira,

Eu fui uma testemunha

Sentado na cabeceira

São José chegou com um facho

De miolo de aroeira



Um dia o Rei Salamão

Dormiu de noite e de dia,

Convidou Napoleão

Pra cantá pilogamia

Viva a Princesa Isabé

Que já morô em Sumé

No tempo da monarquia



Zé Limeira quando canta

Estremece o Cariri

As estrêla trinca os dente

Leão chupa abacaxi

Com trinta dias depois


Estoura a guerra civí





A seguir o mais
famos dos textos do cordelista do absurdo:



O Marechal
Floriano

Antes de entrar
pra Marinha

Perdeu tudo
quanto tinha

Numa aposta com
um cigano

Foi vaqueiro
vinte ano

Fora os dez que
foi sargento

Nunca saiu do
convento

Nem pra lavar a
corveta

Pimenta só
malagueta

Diz o Novo
Testamento!



Pedro Álvares
Cabral

Inventor do
telefone

Começou tocar
trombone

Na volta de Zé
Leal

Mas como tocava
mal

Arranjou dois
instrumento

Daí chegou um
sargento

Querendo
enrabar os três

Quem tem razão
é o freguês

Diz o Novo
Testamento!

(...)



Quando Dom
Pedro Segundo

Governava a
Palestina

E Dona
Leopoldina

Devia a Deus e
o mundo

O poeta Zé
Raimundo

Começou castrar
jumento

Teve um dia um
pensamento:

“Tudo aquilo
era boato”

Oito noves fora
quatro


Diz o Novo
Testamento!






Quando Tomé de Souza

Era governador da Bahia,

Casou-se e no mesmo dia

Passou a pica na esposa.

Ele fez que nem raposa,

Comeu a frente e atrás,

Chegou na beira do cais

Aonde o navio trafega,

Comeu o Padre Nóbrega,


Os tempos não voltam mais!
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